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Empreitada global ou só mão de obra?

Na empreitada global, o construtor compra o material e embute margem, reajuste e risco no preço.

Fonte SX · escrito e revisado pela equipe SX · curadoria técnica: Luan e Gilberto

O que considerar antes de começar

Compare o preço fechado com material e o contrato só de mão de obra, olhando quanto de margem e de previsão de aumento está embutido.

Por que isso importa?

Com o material na conta do construtor, há incentivo para escolher produtos mais baratos em impermeabilizante, argamassa ou rejunte, o que aparece depois como trinca ou vazamento.

O que avaliar?

Pontos para conversar com quem projeta ou executa.

  • Que margem o construtor aplica sobre o material
  • Como o contrato trata reajuste de preços
  • Quem decide a marca e a qualidade dos insumos

Contexto e limites

Materiais sobem cerca de 5% ao ano e um lote difícil consome 15-20% da margem do construtor. Contratando só a mão de obra, o dono assume quebra, furto, desperdício e compatibilidade dos materiais; pese isso contra a margem economizada.

Nota técnica SX

Conferida pela SX contra norma e prática de obra.

  • Contratação: administração

    Na administração o dono paga a custo, mas assume o risco de estouro, a gestão das interfaces e as obrigações trabalhistas e previdenciárias (CNO, eSocial); na empreitada global o BDI (usual de 20-35%) transfere esse risco. Taxas de administração variam de 10% a 20%. Exige projeto completo e gestor competente.

  • Contratação: compra direta

    A compra direta de materiais tira a margem do empreiteiro, dá rastreabilidade e ajuda a comprovar gastos (inclusive para o INSS da obra). A proteção jurídica não é automática: propriedade e risco de peças sob encomenda dependem do contrato (Código Civil, arts. 610-626). O dono assume quebra, furto e desperdício.

Detalhe construtivo · Regimes de contratação comparados em índice de custo

  1. 1Custo direto igual nos três: material 6 + mão de obra 4 = 10
  2. 2Empreitada global: margem, reajuste e risco do material embutidos
  3. 3Contratão chave na mão: no meio da obra não se sabe se pagou a mais
  4. 4Empreitada parcial: empreiteiro só na mão de obra
  5. 5Administração: honorário de gestão de cerca de 10% do custo
  6. 6Honorário em valor fechado, em parcelas iguais ao longo da obra
  7. 7Nota fiscal de todo material no CPF do dono
  8. 8Padrão mais alto pede mais: pedreiro com engenheiro, empreiteiro, construtora
  • Barras na proporção dos índices de custo. Cinza: material; teal: mão de obra; navy: margem e risco do construtor (na administração, o honorário).
  • O custo direto não muda com o arranjo jurídico, só a margem e o risco; quem cobra taxa de administração não pode ter margem no restante.
  • Nem contratinhos sucessivos (fundação, laje, alvenaria): sem teto, o prejuízo de um combinado volta no seguinte.
  • Estrutura e infraestrutura de primeira em qualquer regime: o que encarece a obra é o acabamento.
  • Atenção: na administração o preço final não é fechado e o estouro fica com o dono; administrar sozinho («dono e executor») soma a isso a gestão que o honorário remunera.

Esquema sem escala, não é projeto. Cotas com norma = leitura técnica da SX.

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